Há projetos que nascem de uma ideia. Outros nascem da proximidade, da partilha diária e da experimentação contínua. É precisamente nesse território criativo que surge SPECIMEN, um projeto colaborativo desenvolvido pelos estúdios londrinos A Collection Of. e VaryLab, com o apoio de Valchromat.
Apresentado numa exposição pública na Allotment Gallery, em Hackney, East London, o projeto explora o potencial criativo e estrutural de Valchromat através de processos experimentais que cruzam mobiliário, tipografia e pensamento têxtil.
No centro desta investigação está uma pergunta simples:
E se um material pudesse ser tratado como uma superfície têxtil?
Um encontro entre material, impressão e experimentação
A colaboração entre Peter Haynes (A Collection Of.) e Tanguy Bertocchi (VaryLab) surgiu naturalmente. Ambos trabalham no mesmo complexo de estúdios em Peckham, Londres, e durante meses acompanharam o trabalho um do outro — um dedicado ao mobiliário e à transformação de materiais, o outro focado em têxteis e impressão serigráfica.
Dessa convivência nasceu SPECIMEN, um projeto que desafia abordagens convencionais ao material através da impressão direta sobre painéis Valchromat. O resultado é uma coleção de bancos que combina função, composição gráfica e investigação material.
“Collaboration is often considered the best way to create and grow, but it comes with so many moving parts.”
Porque “SPECIMEN”?
O nome faz referência aos tradicionais “specimen sheets” utilizados em tipografia para apresentar fontes, ritmos e composições gráficas. Neste projeto, essa lógica expande-se para além do papel: as formas tipográficas transformam-se em superfície, estrutura e objeto.
Ao mesmo tempo, “specimen” assume também o significado de estudo material — uma exploração de cor, repetição e textura que revela o caráter único de cada peça produzida.

O papel de Valchromat no processo
Ao apoiar projetos como SPECIMEN, Valchromat continua a incentivar abordagens experimentais e multidisciplinares ao material, promovendo o diálogo entre design, investigação e processo criativo.
Valchromat entrou no projeto de forma quase espontânea. Peter Haynes já utilizava o material em projetos residenciais e algumas sobras de painéis acabaram por despertar o interesse de Tanguy Bertocchi. Durante testes de impressão em contraplacado, um painel de Valchromat Mint Green mudou completamente a direção do projeto.
Segundo os designers, a densidade, a consistência e a coloração integral de Valchromat permitiram criar uma base estável e precisa para impressão em grande escala — algo difícil de alcançar com outros materiais.
A precisão dimensional revelou-se também essencial para o sistema de encaixes utilizado nos bancos, garantindo estabilidade e repetibilidade em todo o processo de produção.

Quando o pensamento têxtil encontra o material
Uma das ideias centrais do projeto passa pela aplicação de “textile thinking” ao material. Na prática, isso traduz-se na repetição de padrões, ritmos visuais e processos manuais que aproximam o trabalho sobre superfícies da lógica dos têxteis e da impressão gráfica.
Os painéis Valchromat foram serigrafados manualmente, frente e verso, com composições inspiradas em tipografia. Durante o processo, os designers descobriram que imperfeições, desgaste e marcas de fabrico podiam tornar-se parte integrante da estética final.
“The printed designs interrupt that rhythm and shift the way we look at the material.”
“Percebemos que estávamos a tratar a impressão como algo demasiado precioso. Quando uma das peças foi lixada em excesso e a cor base voltou a aparecer, entendemos que o processo também podia fazer parte da linguagem visual do objeto”, explicam.
O resultado é uma coleção de peças onde funcionalidade, composição gráfica e experimentação coexistem naturalmente, criando uma linguagem visual situada entre mobiliário, superfície e objeto.

Uma exposição sobre processo e colaboração
Mais do que apresentar peças finais, a exposição em Londres procurou mostrar o percurso completo do projeto: testes, protótipos, impressão, montagem e experimentação.
Além da coleção de 10 bancos Valchromat, os visitantes puderam ver documentação de processo e trabalhos têxteis da VaryLab, reforçando a ligação entre material, superfície e construção.
Para os criadores, esta transparência é essencial:
“O processo gera ideias, energia e ajuda a completar a história de como algo é feito.”

O futuro do SPECIMEN
Depois de Londres, o projeto segue para Genebra, onde alguns elementos da exposição serão apresentados no ESPACE OLIZANE, entre 11 e 28 de junho.
Mas o mais importante talvez seja aquilo que o projeto deixa em aberto: novas possibilidades para materiais como Valchromat em contextos experimentais e multidisciplinares.
Porque, como os próprios designers concluem:
“Descobrimos que imprimir sobre Valchromat está surpreendentemente próximo de imprimir sobre tecido ou papel. Isso abre novas oportunidades para cruzar disciplinas onde superfície, estrutura e material são pensados como um todo.”
Projetos como SPECIMEN demonstram como a experimentação material pode abrir novas possibilidades para designers e criadores contemporâneos — transformando superfície, estrutura e processo numa linguagem comum.

